Desbunde da flor
Desbunde
a alegria trágica que floresce no limite,
botão fechado prestes a romper o mundo,
delito suave,
delírio em brasa,
deleite que nasce onde a queda é convite.
Dançar com o Diabo
é roçar o abismo com delicadeza,
é rir com os lábios trêmulos
enquanto a pele aprende o perigo.
E então, você
flor de oliveira,
lívida, aberta em silêncio,
clara leoa de passos leves,
pequena fada do sorriso que desarma e desmonta
toda a arquitetura do meu controle.
Teu olhar felino
ferino
povoa minha mente
me toma como febre,
sequestra meu olhar,
faz do mundo um território onde só você respira.
Bálsamo maldito
veneno que acolhe
tua presença cura e condena
tua ausência... arde
Eu caminho de volta até você
como quem retorna à origem do próprio desejo.
Porque eu sou a fúria,
a ganância,
o ego que se ergue na sombra
e você, pequena leoa,
me encara sem recuar.
Fúteis futuros,
frágeis futuros,
castelos erguidos em desejo e ruína,
promessas que tremem
antes mesmo de nascer
Meu sonho, minha vontade, meu delírio
todos desmoronam diante do instante
em que teu corpo se anuncia
como promessa e vertigem.
Na sombra, sou lâmina
controlador, ciumento,
implacável geometria do querer
Mas na tua luz
eu me dissolvo
E juntos
não somos pureza,
somos fricção, ficção
Um usando o outro
sendo usado
como forças que se reconhecem
como matéria que se chama
Cada molécula em combustão,
cada átomo vibrando no limite,
cada quark entrelaçado no caos,
um no outro,
um contra o outro,
um sustentando o outro
teu nome em mim
um impulso em ti
E em meio a isso tudo
a flor
aberta, pulsante, inevitável
onde o desbunde deixa de ser queda
e se torna uma espera
--
Felipe R.
∆

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