Quem sou eu

Minha foto
Um Príncipe das Trevas num Cavalo Negro • R e s p i r e F u n d o • ∆

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Minúscula dúvida

É mais fácil ser criatura do que ser criador?
É fácil imaginar que um mundo cheio de dor
Roube a certeza de que combinamos
Muito antes de vir pra cá, tudo o que passamos

Basta olhar para o céu de noite
Pra receber a verdade como um açoite
Tudo fica pequeno e sem sentido
E o último fio de esperança foi perdido

Não caminha, não corre, nem pula
Vai aos trancos, rasga a carne sem ternura
Sem saber qual é seu fim ou se vai ter um par
Segue só, para o infinito sabendo que não pode voltar

--

Felipe R.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Morena

Foi só na segunda vez
Depois de uns segundos
Vi que seus olhos talvez
Revelassem novos mundos

Um salto cego sobre sonhos
Com tão poucas palavras, em uns poucos dias
Povoa minha mente com desejos e fantasias
São cinco partes de um, enquanto componho.

--

Felipe R.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Nessa nova casca

São esses jovens velhos olhos
Muito antigos, de quem já viu tudo
Num canto, perdido, sem conselhos
A retina ensaia um grito surdo e mudo

Mesmo estando bem à vista, invisíveis
Variáveis tão plausíveis, impossíveis
Sonhos cinza, de concreto, sem um teto
Olha em volta, estão longe, estando perto

--

Felipe R.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Uma noite inteira de sonhos

Os sonhos de uma noite inteira
Soltos da cabeça, da idéia primeira
Entre tramas de galhos tortos
Olhei ao redor e estão todos mortos

Estão deitados sobre a grama tão cinzenta
Fria paisagem e aquela mancha do vazio
O vento que sussura um lamento sombrio
Tudo mais está disposto de uma forma agourenta.

--

Felipe R.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Autômato

Os olhos tão serenos quanto pôde sonhar
E vai falar de coisas que não pode explicar
Uma falta tanto, outra tanto sobra
Uma tanto faz, a outra nem me cobra

Dançam e giram as engrenagens
escorrem, derretem não pedem passagem
São sessenta dentro de um e mais sessenta dentro da outra
Como vai se sentir inteiro com tantas partes soltas.

--

Felipe R.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Only a boy

It's a ordinary boy
Living in a ordinary world
But he made the most fantastic things
Songs and sins
From the dust

In the middle way on the dark
Jumping from star to star
Not as close or as far
Can not be an end but a beginning had

--

Felipe R.

Nem zeros, nem uns

Não sou um padrão
Nada continuo
Não sou como paralelas que se cruzam
Nem se encontram
Não sou um devaneio de alguém
Parte de um sonho
Não vou me lembrar de nada
Não vou lembrar de nada que aconteceu
Quando acordar
Não estarei mais aqui

--

Felipe R.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Silêncio vai cair

Iluminou resplandecente com seu sorriso
Como um reflexo de um rosto, um tempo antigo
Seus grandes olhos e sua constituição pequena
Carrega no braço a marca das vestais de Atena

Cultiva por onde passa imagens de um tempo bom
Cativa com suas palavras as vezes sem nenhum som
Vem altiva sobre as sombras das máscaras que pode usar
Destrutiva em seus caprichos, canta o mundo com um olhar.

--

Felipe R.

domingo, 20 de julho de 2014

Caso Oblíquo


O oco da vida
é o eco da alma
que mesmo partida
(des)constrói nova calma

Os prédios e os prêmios
sós, vazios e abandonados
flutua a noite e os boêmios
com seus versos inacabados

Penhora nossa liberdade pela destreza
da mão que manuseia a lança
os olhos que disparam setas como certezas
garantias para o retorno com segurança

--

Felipe R.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

De echarpe lilás


Ela saiu nem pagou a conta
Fumou seu cigarro até a ponta
Atravessou a rua meio tonta
Se equilibrando no salto, não desmonta

Chegou na escada, pediu licença
Sentou, falou e riu, ninguém notou sua presença
E tocava, o partido alto
Era o seu coração partido, tomado de assalto

--

Felipe R.

domingo, 22 de junho de 2014

A Careless Dreamer

Don't be a jerk, just be a prince,
don't look back, give me a chance
I wish don't hear the beats of your heart
When the end of my path starts

And in this time sick and strange
Every memory ask revenge
I don't wanna be one blue
Make us one and this dream come true

--

Felipe R.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Voodu

Tire essas agulhas de mim
Seu voodu não vai me enfeitiçar
Nada que tenha ou possa criar
Vai me obrigar a dizer sim

É tão selvagem seu cheiro no ar
Que embriaga, me faz viajar
A realidade fere como o ferro da agulha
Me põe acordado e meu sangue borbulha

--

Felipe R.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Enkephalos

É cabelo, pele, carne e ossos
É porque vivo que não me devoram
A ilusão do ego sobre destroços
Lágrimas dos mortos não consolam

São só processos eletroquimicos
E esses quatro lobos a espreitar
Todos os cordeiros são cínicos
Sem Wernicke eu mal posso falar

--

Felipe R.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dreams on canvas

Era como uma abstração cubica de Malevich
A renda branca sobre a pele da mesma cor
Mergulhados no conforto negro e no terror
As portas trancadas pelas palavras que disse

Um beijo dourado nos colocou naquele lugar
Onde a abstração e a realidade podiam se encontrar
Misturamos cores na tela, como incontroláveis feras
No simples traço do terremoto, a fada verde pôs fim a espera

--

Felipe R.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Amada

Quando os olhos brilham ao te ver
E desde sempre esperei te conhecer
Me enfeitiçou,  me pôs pra dançar
Seu canto de sereia a me embalar

É aquela que faz os outros felizes
Cura as dores, dissipa as crises
Não são só palavras, língua e ar
É certeza de ir, sorrir e poder voar

--

Felipe R.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ser dois

Ou ser mais de dois
Muitos outros dentro de um
Sem tempo de pensar no depois
Ser louco e tão incomum

Sem saber que os seus sonhos
sofrem transcendentes mutações
Olhos vidrados, sorrisos bisonhos
É a mulher do poder, senhora das canções

--

Felipe R.

terça-feira, 25 de março de 2014

Versos Perdidos

Nesse jogo de enganos
nos distraímos assim
o que trago são pedaços
são versos perdidos de mim

O panorama, um som de fundo
frases soltas, palavras perdidas
E o seu sorriso virou meu mundo
Aquela noite não será esquecida

--

Felipe R.


sexta-feira, 21 de março de 2014

As Lições

A cada novo amor
E sua consecutiva decepção
Sem medir prazer ou dor
Aprendemos pela repetição

As lições gravadas alma
Ensinam onde devemos pisar
Com o entusiasmo desgastado
Desaprendemos como amar

--

Felipe R.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Beija-Flor

Meus nervos estão a flor da pele,
quem vai passar a flor na minha pele,
quem vai tocar meus nervos,
que beija-flor vai beijar a flor da minha pele.

__

Felipe R.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Quem de nós


Por um momento que seja
Ja sentiu falta de algo que não viveu
De alguem que não morreu
Ou algo que nunca foi seu

Se em cada escolha nossa
Cada sim ou cada não
Criasse uma nova dimensão
Nós que se dão numa breve distração

Se rasgasse o tempo que sempre passa
Como uma velha roupa esgarçada
O que havia nessa outra estrada
Uma solução ou uma outra cilada

--

Felipe R.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

D-uas

Duas vezes meia noite
Num mês de lua azul
Duas almas perdidas
No hemisfério sul

__

Felipe R.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Segurando nos Calcanhares

Quem são esses que você diz que morreram?
Não foram lembrados, nem vingados!
Não tiveram a sorte de serem transformados em mártires!
Não eram jornalistas, intelectuais ou jovens burgueses.

Eram como sou, invisíveis,
até que um dia, espero eu,
que todos os números,
invisíveis e esquecidos,
ressucitem e lutem.

Se não for agora, quem sabe em cem anos.

__

Felipe R.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Já não era a primeira vez

Eu te fiz cantar quando já nao havia musica em você
E te mostrei as cores no seu mundo cinza
Em seus delírios mais absurdos, ensinei
Que nem só de encantos se faz um príncipe

Os fios que nos unem, foram fiados na incerteza
As tramas em que embarcamos sem comprar ingresso
O contrato que firmamos sem assinar ou estar impresso
E mesmo num turbilhão de caos, encontrar alguma beleza

__

Felipe R.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Je veux la vie

Parar de pensar na vida
como ela poderia ser
e aceitar a vida como ela é

É um tormento pra mim
aceitar a vida tem que ser assim
A vida sem ilusão,  sem magia

Deixe estar, as coisas como são
A lua cheia, de ver tantas coisas
Em revolução se renova na escuridão

__

Felipe R.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Como a alvorada

Como escapar desse sufoco
Uma armadilha de sangue e mel
Como resistir a esse sorriso barroco
Esse olhar malicioso que me leva pro céu

Seus movimentos de incrível leveza
Dança e flutua nas ondas do som
As melodias saltam com angelical destreza
Dedilhando incertezas e corações.

__

Felipe R.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Negligee

Por sobre a pele
Na contra-luz
O cetim cintila só
Será uma suave seda

Os olhos e os lábios
Perdidos se encontram
As mentes lutam pra explicar
O que os corpos não precisam

__

Felipe R.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Tesouros

Eu guardo tudo,
de papel de bala a ressentimento,
Mas logo esqueço,  cresço.

Está guardado,
mas não fica no caminho
É amnésia paquidermica

__

Felipe R.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Pedaços de nós

É tão difícil olhar e ver
Que em todo canto tem
Um pedaço de você
De nós,  do que seriamos

Sem saber, deixamos de lado
Tantas possibilidades, de viver
Uma aventura incrível, pela
Segurança da solidão.

__

Felipe R.