Quem sou eu

Minha foto
Um Príncipe das Trevas num Cavalo Negro • R e s p i r e F u n d o • ∆

domingo, 19 de abril de 2026

Ciclo do Quase

Um ciclo sem fim.

A gente não sai do lugar.

Eu aqui
inteiro, exposto,
quase implorando pra acontecer.

Você aí
olhando além de mim,
como se o amor fosse sempre
em outra direção.

Eu sou o que te acolhe,
o que escuta,
o que fica.

Mas não sou o que te acende.

E isso corta.

Porque eu te tenho perto,
mas nunca tenho você.

Teu riso me chama,
teu toque me prende,
mas teu desejo
esse nunca me escolhe.

Eu viro intervalo,
respiro,
ponte.

Nunca destino.

Enquanto isso,
você espera
não por alguém real,
mas por um delírio bonito
que nunca chega.

Um príncipe inventado
que sempre vence a mim
sem nem existir.

E eu perco
pra uma ideia.

Se eu pudesse,
eu seria mais.
Mais fogo,
mais falta,
mais erro.

Mas eu sou presença.
E presença não te basta.

Então eu fico
idiota e lúcido
sabendo exatamente
o lugar que eu ocupo:

quase.

Sempre quase.

E o pior é que, mesmo assim,
eu continuo.

Porque tem algo em você
que me faz aceitar
esse pouco
como se fosse tudo.



-- 


Felipe R. 


terça-feira, 31 de março de 2026

Desbunde da Flor


Desbunde da flor


Desbunde
a alegria trágica que floresce no limite,
botão fechado prestes a romper o mundo,
delito suave,
delírio em brasa,
deleite que nasce onde a queda é convite.

Dançar com o Diabo
é roçar o abismo com delicadeza,
é rir com os lábios trêmulos
enquanto a pele aprende o perigo.

E então, você

flor de oliveira,
lívida, aberta em silêncio,
clara leoa de passos leves,
pequena fada do sorriso que desarma e desmonta
toda a arquitetura do meu controle.

Teu olhar felino
ferino
povoa minha mente
me toma como febre,
sequestra meu olhar,

faz do mundo um território onde só você respira.

Bálsamo maldito
veneno que acolhe
tua presença cura e condena
tua ausência... arde

Eu caminho de volta até você
como quem retorna à origem do próprio desejo.

Porque eu sou a fúria,
a ganância,
o ego que se ergue na sombra
e você, pequena leoa,
me encara sem recuar.

Fúteis futuros,
frágeis futuros,
castelos erguidos em desejo e ruína,
promessas que tremem
antes mesmo de nascer

Meu sonho, minha vontade, meu delírio 
todos desmoronam diante do instante
em que teu corpo se anuncia
como promessa e vertigem.

Na sombra, sou lâmina
controlador, ciumento, 
implacável geometria do querer
Mas na tua luz 

eu me dissolvo

E juntos
não somos pureza,
somos fricção, ficção

Um usando o outro
sendo usado
como forças que se reconhecem
como matéria que se chama

Cada molécula em combustão,
cada átomo vibrando no limite,
cada quark entrelaçado no caos,
um no outro,
um contra o outro,
um sustentando o outro

teu nome em mim
um impulso em ti

E em meio a isso tudo

a flor
aberta, pulsante, inevitável

onde o desbunde deixa de ser queda
e se torna uma espera 



-- 

Felipe R. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Sereia

Ela caminha sobre as águas do mar,
na pele como escamas cintilam grãos de areia.
Ouço no vento sua bela melodia de sereia.
Cantando sonhos e certezas de realizar.

--

Felipe R.


Nada

Nem sempre qualquer coisa é melhor do que nada, as vezes nada é melhor do que muita coisa. Quem nada possui, de tudo desfruta.


--

Felipe R.


Amor Amargo

O Amor é Doce e Amargo!
Eu conheço o Amargo,
é o que me permite
apreciar o Doce!


--

Felipe R.


Desde aquele momento

É assim que a vejo
quando fecho os olhos.
Perfeita simetria, banhada
pela mesma proporção de luz e treva.

Lambe os lábios,
sente o gosto,
não pense em nada,
deixa a musica tocar.


--

Felipe R.


Sobre Sonhos e Capacidades

Só sonhamos aquilo que somos capazes de realizar.

--

Felipe R.


134 - Centésimo Trigésimo Quarto

Olhos Floridos
Com raízes no coração
Sentimentos contidos
Adormecidos como um vulcão

E é no centésimo trigésimo quarto
Que ressurge, com sua luz e magia
Na décima sexta hora, quase infarto
Fico inerte, não sei se é noite ou dia

E as sombras que cantavam e dançavam
Se desfazem na dourada luz que desfez o dilema
Já não sinto raiva, medo, dor ou pena
Não nascerá a flor do ódio em corações que se amavam.


--

Felipe R.



Somnium Syreni

Já é alta madrugada
E ainda estou aqui
Estará acordada
Ou como eu, sorri

É a lua em mutação
Sempre cheia de fases
Entre elas como um turbilhão
A cada instante uma nova face

É a Luz que vislumbrei logo ali
No fim desse meu longo caminho
Sempre frias fagulha teimei em seguir
Ficando só, pra não terminar sozinho.

Inebriado pelo canto da sereia, fui
Apaixonado pelos sinceros olhos, estou
Convencido da gemialidade das nossas almas
Sem mastro pra me amarrar, naufragarei nos seus braços.


--

Felipe R.

Fluxos de Lucidez

Sempre sorrio pra te fazer sorrir
As constelações que vejo nos seus olhos
Não são as mesmas que eles te prometeram
Sempre sorrio pra te fazer sorrir
Como tudo se ilumina e colore com você
Mesmo que tenham tentado te deixar cinza
Sempre sorrio pra te fazer sorrir
Ainda que ele se pareça com um rosnado


Você não percebe essa energia
Mesmo que não acredite, ela flui entre nós
Embora existam sinais, tão nítidos
Você não percebe essa energia
Ela corre, escorre, preenche e transborda
Orbito ao seu redor, atraído pela gravidade
Você não percebe essa energia
Mesmo estática, se move, em silêncio, sem choque


--

Felipe R.



O que sinto na pele

Pra saber o que eu sinto
Teria que engolir todas as minhas angústias
Beber todas as amargas lágrimas que chorei
Pra saber o que eu sinto
Passar todas as noites insones que passei
Os litros de café que na ânsia consumi
Pra saber o que eu sinto
Teria que vestir minha pele

Se vestisse a minha pele
Sentiria o calor e o aconchego do seu abraço
Sorriria como uma boba ao te ver sorrir
Se vestisse a minha pele
Morreria de vergonha dos elogios que me faz
Ficaria com o coração disparado ao ouvir sua voz
Se vestisse a minha pele
Eu não precisaria dizer com palavras o que meus olhos gritam


--

Felipe R.



Luz

Essa é pra você pequena luz
Que ilumina e aquece a todos
Que mostra o caminho na escuridão
Essa é pra você pequena luz
Que brilha e emana do seu lindo coração
As vezes trêmula outras explode
Essa é pra você pequena luz
Seu sorriso, brilho, que ilumina o meu.

Seja essa luz, esteja sempre a brilhar
Luz que irradia e faz tudo germinar
Que seca a lágrima, ou a faz brotar
Seja essa luz, esteja sempre a brilhar
Ilumine e revele tudo que oculto está
permita a sombra, existir mas não reinar
Seja essa luz, esteja sempre a brilhar
Como o brilho dos seus olhos a cantar


--

Felipe R.


Mulheres são portais

Mulheres são portais
São jornadas e caminhos
entre os mundos, destinos
ocultos, expostos, sem cais

Mulheres são portais
Que atravessamos
Ou que nos atravessam
Nos transportam a vários finais

Mulheres são portais
Trilha de treva e luz que não se fecha
Certeira como o rumo da flecha
Nos transforma em homens ou animais


--

Felipe R.


Não sei ao certo como

Ainda estou de pé
Tropeço as vezes,
É difícil me equilibrar
Ainda estou de pé
Nao sei como caminhar
Pode demorar alguns meses
Ainda estou de pé
Os pés teimam em vacilar

As mãos ainda tremem
Sinto algo estranho
Um buraco, vazio no ventre
As mãos ainda tremem
Suor frio escorre, nele me banho
Minhas pernas congelam sempre
As mãos ainda tremem
E na boca o gosto amargo do medo

Como conter a fúria alucinante
Com o descaso pelos sentimentos
A falta de zelo pelo cuidado prestado
Como conter a fúria alucinante
Não se dissolve em nenhum momento
Um horrível monarca a ser destronado
Como conter a fúria alucinante
Que lateja e pulsa a todo instante

E me lembra que estou vivo
Mesmo sem saber como ou porque
São lancinantes as dores do crescimento
E me lembra que estou vivo
Mais uma vez perdido e sem motivo
No escuro e correndo perigo
E me lembra que estou vivo
Um sacrifício de mim mesmo apresento

Aqui entrego, corpo, mente e espirito
Nesse altar, quente, úmido e escuro
Me encontro, frio, seco e iluminado
Aqui entrego, corpo, mente e espirito
Fluxo psíquico bio concentrado
Ondulando partículas e raios impuros
Aqui entrego, corpo, mente e espirito
Ainda estou de pé, tremendo, alucinando e vivo.


--

Felipe R.




Parabéns Sol

Quantas voltas o mundo já deu?
Desde que você nasceu
Desde que você cresceu
Quantas voltas o mundo já deu?
Desde quando virou estrela
Desde que aprendeu a voar
Quantas voltas o mundo já deu?
E quantas ainda vai dar

E as voltas ao redor do Sol?
Tiveram muito choro e muito riso
Coisas esperadas outras sem aviso
E as voltas ao redor do Sol?
Tiveram muitos silêncios e muitas canções
E muitos sorrisos ladinos de corações
E as voltas ao redor do Sol?
Tantas que já não dá pra contar nas mãos

Esse Sol é você
Que enche de luz quando chega
E ilumina indiretamente pela Lua
Esse Sol é você
Como é possível orbitar a si mesmo
Ser criatura da auto criação
Esse Sol é você
Parabéns!



--

Felipe R.


Raio de Sol

Faça a sua luz brilhar, 
tanto 
e tão forte 
até consumir 
queimar tudo que te aflige, 
abraça seus temores 
resplandeça como a estrela
que nasceu pra ser.
Porque você merece tudo o que desejar, não aceite nada menos.
Se deixe levar pelo irresistível ardor 
e ele te preencherá!


--

Felipe R.



Meu Bem

Não é a primeira vez que eu morro
Já morri muitas vezes
Tantas que já perdi a conta
Não é a primeira vez que eu morro
Eu morri quando vi seus olhos sorrirem
E também quando te fiz chorar
Não é a primeira vez que eu morro
E talvez não seja a ultima.

Quem eu sou?
Será que pode me dizer
Se algum dia já fui
Quem eu sou?
Alguma vez se importou
Fui só mais uma velha novidade
Quem eu sou?
Ou quem eu deveria ser?

O que ainda posso fazer?
Acorda, devo começar a viver
A Corda, devo começar a morrer
O que ainda posso fazer?
Eu morri quando ele te chamou de "minha"
E outra vez quando ele te beijou
O que ainda posso fazer?
O que eu fui pra você? Meu bem.


--

Felipe R.



Sem energia

Fito o céu notuno, 
ainda sem nenhuma estrela 
só as nuvens passeiam, 
ocultando a bela face da lua.

Fundo nos seus olhos,
É só mais uma ilusão
Do reflexo do espectro da luz
E da fúria dos instintos, das sinapses.

--

Felipe R.


Amor Breve

Hoje no trem
Senti seu cheiro em outra mulher
Ela não usava o mesmo batom
Hoje no trem
Notei as voltas de outros cabelos castanhos
Como seus cachos e caracóis pendiam
Hoje no trem
Percebi que sinto falta de você

É só mais um amor breve de condução
Conduziu com destreza o prelúdio
Daquilo que seria uma boba fantasia
É só mais um amor breve de condução
Que nunca vai acontecer, é impossível
Está tão longe, a dois passos de distância
É só mais um amor breve de condução
Você tão perto, gravada no lobo temporal

A porta se fecha, a estação se vai
Agora me confundo, misturo as coisas
Não sei se ela me lembra você ou você a ela
A porta se fecha, a estação se vai
Foi tudo tão depressa, nem pude me mover
Agora consciente, começo a entender
A porta se fecha, a estação se vai
Foi só mais um amor breve, como o nosso foi.


--

Felipe R.


Aqui está, Está aqui

Viver não só existir
A coragem é implícita pois
É uma moça, e ela é os dois
Agora nada a impede de sorrir

Depois das palavras ditas
Antes dos olhos se cruzarem
Depois das heranças malditas
Antes das borboletas voarem

Haviam ainda outros dois que queriam provar
dos seus beijos, chegar ao altar
Um era platônico, a outra por imposição
Sonham juntos numa noite de verão

Havia ainda um quinto, o amante finado
Colocou em colisão o desastre anunciado
E o doce mais gostoso a notícia azedou
Mas o fogo redentor a alma dele libertou

Em grande dor, mas pra todos salvar
A proposta descabida, a separação, o altar
Ele não resistiu a luz, nem a dela, nem do luar
A alma para o céu, o corpo para o mar

E a moça chorou tanto, de tristeza e alegria
Dentro do seu vivo ventre uma parte do amor morto
Não há um olho seco de leste a oeste desse porto
A esperança, mesmo triste, a fazia feliz. Todo dia

--

Felipe R.



Inspirado pela Borboleta Leila/Luci e no espetáculo "Se essa lua fosse minha"

O que restou

saudade
do peso dos teus olhos castanhos
me encarando
com tesão.

Eram os dois,
Éramos sóis,
Éramos nós...
ali!

--

Felipe R.

Díptico

Somos duas partes de um
Um inteiro de nenhum
Separados, parecemos ser comuns
Quando juntos, não tememos mal nenhum

Em todos lugares, tínhamos estado
Entrelaçados, emaranhados, indivisíveis
Mas isso se foi, ardores invisíveis
Jaz em algum lugar do passado

Enquanto juntos, estávamos completos
De amor e esperança, repletos
Podíamos até pensar em ver nossos netos
Mas pelas voltas da vida, incompletos

--

Felipe R.

Mais um dia ruim

Cercado de escuridão, nuvens cinza-chumbo deságuam sobre mim, não tanto quanto meus olhos tem derramado, nem sempre as lágrimas tem força pra sair, na maioria das vezes elas escorrem pra dentro me afogando, me inundando. Uma hora a represa há de romper.

--

Felipe R.


Borboleta Galáctica

Voa borboleta galáctica
Que era lagarta fantástica
No alto do céu estrelado
Voa borboleta galáctica
Helios e seu circular bailado
Na espiral sem destino traçado
Voa borboleta galáctica
Surpreende Sempre Sereia Sináptica

Celebra, fortuna e embriaguez
Ilumina o mundo, fluxos de lucidez
Caliope canta seus feitos
Celebra, fortuna e embriaguez
Euterpe hipnotiza com seus efeitos
Selene abençoa sua fluidez
Celebra, fortuna e embriaguez
Certos laços nunca podem (nem vão) ser desfeitos.

--

Felipe R.

Lírio Valente

Quem nos ensinou a ser brandos, otimistas, humildes. 

Quem nos ensinou a ser bons, a perdoar, a aceitar o erro alheio. 

Quem nos ensinou que não somos importantes, que todos os nossos bons atos não serão celebrados, mas um erro, um único erro será nossa ruína. 

Quem nos ensinou que temos que ser positivos e sorrir todos os dias.

Quem nos ensinou que o outro é mais importante do que nós e que temos sempre que ser heróis.

Quem nos ensinou?

QUEM?!

--

Felipe R.






Mais uma vez e sempre

É no silencio, 
que os justos são perseguidos e eliminados. 
Talvez o medo 
de serem ofuscados 
os façam agir assim. 

E são momentos como esse 
que me fazem perder a fé 
nas premissas de compromisso 
trabalho duro 
para uma vida digna. 

Talvez o único jeito de viver bem 
seja em um mundo 
sem regras, 
sem limites 
sem arrependimentos.


--

Felipe R.


Brisa Nua

achei algumas fotos suas,
nuas,
mostrando tudo
e outras só sem roupa.

Mas a melhor de todas
e a de shorts jeans,
camiseta branca e mochila
em frente a igreja de paredes caiadas, aquela
que o sorriso escondido no olhar,
mostra tudo em você,
cada passo da estrada.

--

Felipe R.


Branca

Desde o primeiro dia que te vi, sem nem te conhecer já senti que é uma mulher incrível, um sorriso avassalador e uma energia lindíssima.

É o canto da sereia que sequestra os corações, haja amor! Eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor, te fazer mel e zumzum pra te distrair.

Essa rosa que nasceu no meu B612 pra me ensinar sobre o que é o belo, o forte e o bondoso!

É o desejo dos lábios que precede o beijo, é o prenúncio do perfume do pescoço que a gente sente quando abraça, a pele que reluz no céu da madrugada.

É a juiza do meu juízo, ungida com meus olhos, o desejo do meu coração.



--

Felipe R.

Na mente, na história e na memória

A incerteza de muitas memórias mas a certeza de ter sido muito bom
Imagens, toques, movimentos, luz e som
São truques da mente ou a verdade crua da pele
A dúvida louca de prosseguir ou a coragem nata que me impele

É no refúgio seguro das artes, histórias e mitologia
Que ela sonha e se dedica esperando por aquele dia
Que a sua sina de princesa romântica e guerreira vai findar
Quando nos braços do seu verdadeiro amor vai se deitar.

Projetamos um lindo e calmo final feliz decente
Mas isso com certeza não é coisa facil de fazer com gente
Na mente, nas histórias e na memória um unicórnio pode amar um monstro, um vilão 
Mas na vida real, não.




--

Felipe R.

Sobre Sonhos

"O Senhor nos ensinou a sonhar, e com os sonhos criar. Todos vocês terão de prestar contas a Ele dos sonhos que destruíram ou tentaram por ganância e egoísmo."

--

Felipe R.


Anzol de Sereia

Esse seu olhar de anzol
que me fisga o tempo todo
e me tira desse mar de preocupações,
me afoga

me afoga com o ar
e me cega com a luz
do sol da tua pele
incandecente,
indecente,
envolvente,
quente

Exala pela nuca seu perfume
de baunilha, carne e mel
flutua suas inúmeras curvas
e o ambar dos seus olhos
que sempre
e toda vez
me fisgam

--

Felipe R.

Trago seu amor de volta

Nos cartazes
dos postes
das ruas
da cidade

Oferecem, alardeiam
Trazer seu amor de volta
Em apenas 7 dias
Garantido ou o dinheiro de volta

Eu não quero amor de volta
Eu realmente não quero
Talvez uma parte queira
Mas não é o que eu quero

Eu quero um novo amor
Mesmo que não tenha mais nada
Quero um negro amor
Traga-me o amor. De volta!


--

Felipe R.


Desde que o sol entrou em escorpião

Já se passaram muitos dias e meses
Desde que te vi pela última vez
Desde que sua luz/abraço me envolveu
Já se passaram muitos dias e meses
E mesmo com a distância entre nós
Não desfizeram nossos nós
Já se passaram muitos dias e meses
Mesmo entre os quarks há espaço infinito

Não é o tempo que passou, são seus olhos
Que eu não vi mais, que não me viram
Chorando ou sorrindo sem que eu saiba
Não é o tempo que passou, são seus olhos
Faróis de força e encanto na névoa da dor
Janelas de lucidez e de dor na felicidade
Não é o tempo que passou, são seus olhos
Esses que não vi mais, mas me fitam na memória

É só mais um dia pra quem não te conhece
Mas quem já te viu, com meus olhos brilhando
Te ouviu com meu coração cheio de orgulho
É só mais um dia pra quem não te conhece
Mas pra quem conhece é certeza do amanhã
De mais um suspiro, uma nota, uma luta
É só mais um dia pra quem não te conhece
Mas quem conhece, sabe, entende, sente, o brilho... a luz 


--

Felipe R.


Alba Lux

Brilhante, Radiante e Reluzente
Porque estamos sempre famintos
Carentes desse fluxo que emana dela
Brilhante, Radiante e Reluzente
Explosão de ondas e particulas
Descarga eletromagnética de Hélios
Brilhante, Radiante e Reluzente
É essa energia solar que alimenta essas flores da pele

Pelo prisma dos meus olhos te divido
Repartindo com a arte, a musica e o mundo
Com seus pais, amigos, seus filhos
Pelo prisma dos meus olhos te divido
Da luz branca primordial em outras sete
Que não compete com as que da aura emana
Pelo prisma dos meus olhos te divido
E não duvido que é o sol que alimenta as flores.


--

Felipe R.


Calipígica

É na curva mais macia, tenra e quente
Do seu corpo de mulher-serpente
Que hipnotiza com seus movimentos
Incendeia e domina meus pensamentos

Fiquei olhando e imaginando
a textura da pele, o cheiro, o gosto
Imaginando se iria suspirar, contorcer ou
gemer baixo, se eu beijasse seu pescoço

Nos encontramos, energia ou idéias
Feromônios, demônios que nos envolvem
Impulsos incontroláveis pulsam nas veias
Olhos fixos, corpo teso, úmido, algo além

Isso tudo não vai ser real, falha e tarda
Por desencontro, perdemos nosso momento
Essa ampulheta, perfeita que guarda
As areias do seu/nosso tempo

--

Felipe R.


La Isla

Tolos são os gases que compõem o ar
que entram pelo pulmão e percorrem
todo o corpo dessa maravilhosidade
e não se dão conta da sorte que tem

A água indiferente que percorre
Seu corpo, sua boca, língua e coração
Pelas veias, artérias e células corre
Não sabe que hidrata e dilui a má intenção 

As plantas e animais que com seus nutrientes
Abastecem as ações e pensamentos
Impulsos elétricos, eróticos; não sencientes
Nem sonham que compõem esse monumento


--


Felipe R.

Aquela que antecede os outros

Primogênita, primeira a ser gerada
Primeira, filha, neta e sobrinha
Princesa da família, mimada
Privilégio é conhecer e conviver

Personagem de outros poemas
Pacientemente escritos para ti
Personificando diversos estratagemas
Percorrendo o caminho até e a partir daqui

Pensamento firme e direto no certo caminhar
Para entender quem é e honrar de onde veio
Problemas podem existir, mas não dominar
Palavras e ideias, meu presente sincero adveio


--

Felipe R.


Relacionamento Clandestino

Se eu moro nos seus pensamentos
Me despeja da sua mente
Um turbilhão de sentimentos
Não é certo eu morar ai

Você já tem alguém, e eu já fui o outro não quero te atrapalhar,  seu coração é um latifúndio que eu não posso invadir
Mesmo que você deixe a porta aberta

Eu sei que meu perfume te enlouqueceu
Os toques roubados tiram seu sono,
Tambem tiram o meu
Mas não é justo morar em coração que já tem dono.

Não me pede pra provar do seu beijo que eu não resisto,
A gente é só amigo, não faz isso comigo
Não me fala que vai ser só uma vez que eu não consigo
Eu sou compulsivo, se eu provar vou me viciar, não faz isso comigo

O nude que ela me mandou, liquefeita
Ecorrendo os olhos, pelo quadril e o monte de Vênus
O contorno de uma taça de martini perfeita
pra me embriagar, pensei em nós nus

--

Felipe R.

Sentimento Suspenso

Lábios cerrados e olhos marejados
Meu coração, batia tão rápido que parecia estar parado
Igual as asas do beija-flor
Que não pôde beijar na boca daquela flor

Queria te fazer desaguar, fluir
Escorrer pelos meus dedos
E de beijo em beijo, te instruir
A conhecer seu corpo sem medos

Amante das coisas impossíveis que sou
Escolhi justamente a abelha fazendo mel
Que pode causar tanto mal ou se tornar fel
Toma o seu caminho e pelo meu eu vou

Fiquemos estáticos, suspensos por um fio
A seda dessa historia que nhandu teceu
O mar não recebe a água de todo rio
Matar o que não devia ter nascido e não morreu


--

Felipe R.


ParaBella

Seja bem vinda, nao se assuste
Nossa familia é muito intensa
Grita, briga, xinga, mas é tudo com muito amor
Sua tia babona, sua vó coruja, seu tio é doido
Sua mãe e  seu pai vão cortar um dobrado pra gerenciar a maluquice que é um novo bebê nessa familia.

E você quis vir no centésimo oitavo dia de dois mil e vinte um, 9 dias depois do aniversário da sua mãe, e 5 dias antes da sua tia, pra abril toda semana ter festa, né?! kkķk, embora o mundo esteja de cabeça pra baixo, e tenhamos passado muitos medos nesse último quase um ano que você ficou na barriga da sua mãe, passamos todos, oramos muito, vibramos a cada nova foto no ultrassom (e vc ficava se escondendo, se esticando, em pé, uma carneirinha inquieta! Kķkkk), cada novo mimo, com o quarto, com as roupinhas, até gastar um dinheirão (quinzinkkk) com pacotes e pacotes de fraldas pra vc usar tudo e fazer bastante cocô e xixi! Kkkk

Seja bem vinda, não se assuste, mantenha os braços e cabeça dentro do carrinho, saiba que nós todos te esperamos e te amamos muito. Embora eu queria que seu nome fosse Pandora, sua mãe não deixou, e escolheu Bella. Agora são 3, a Sabedoria, o Presente de Deus e a Formosa Consagrada a Deus.

Seja bem vinda, não se assuste, se quiser chorar pode, nós vamos te consolar! Mas se quiser sorrir, sorria, todos vamos sorrir juntos.
Estaremos sempre com você, parte de você.

Seja bem vinda!


--

Felipe R.

Entre o Norte Verdadeiro e o Magnético

O coração é uma bússola difícil de seguir sempre sem as distrações do mundo
O caminho vai se bifurcando a cada passo, a cada escolha um terror profundo
De não ser suficiente, de não encontrar na escuridão da noite uma luz pra seguir
Com a nobre linhagem do brilho dos seus olhos um motivo pra sorrir 

Nos dizem pra ser úteis, ter propósito e fazemos tudo isso
E vamos descobrindo que eram belas mentiras desde o início 
Nos mantém culpados e ocupados, sequestram nossa vontade
Jaulas perfeitas que nos prendem a céu aberto e sem grades 

Debaixo do asfalto correm rios imensos
Escondidos, soterrados, mas que ainda pulsam
Como o que eu sinto, por ela, num impuso
O sentimento que vive oculto e a contra senso


-- 

Felipe R. 



Através do espelho

Pela toca do coelho, o avesso, o sorriso enigmático do gato, quem és tu? O chá que o chapeleiro toma no desaniversário com o dormidongo e a lebre de março, não é o mesmo que eu queria tomar, a fumaça da lagarta e os coma-me e beba-me deixam alto, estranhamente alegremente feliz, não sou eu quem falo é o coração quem diz, mas por qualquer coisa, como hampty dampty pode se partir e em mil pedaços voar e nem todos os homens do rei podem seus pedaços juntar. Minha rainha branca serei seu campeão e consorte, com sorte serei.

-- 

Felipe R. 


Flutuando sobre amar

Flutuando sobre o mar
Mergulhando em pensamentos
Sobretudo sobre amar
Sobre todos seus momentos

Temos tempo ou já passou?
Mil momentos de encanto
Por seus olhos ou seu canto
Por tantas vezes me enfeitiçou

O mar ia na frente dele escorria
O feliz personagem sem rumo sabia
Que se perder nas sua curvas e laços
Era o melhor cativeiro, o dos seus braços

-- 

Felipe R. 


Ayó

Poderemos recriar mundos
Olhar estrelas e sonhar
Um belo pôr do sol a beira mar
Poderemos recriar mundos
E viver desse doce encanto
Todos os dias e horas sem fim
Ser caminho, exemplo e assim
Poderemos recriar mundos

A guerra é inevitável e terá que lutar
Algumas vezes contra monstros
Outras contra você mesma
A guerra é inevitável e terá que lutar
Provar, experimentar, experiênciar
Tudo o que o mundo te proporcionar
A guerra é inevitável e terá que lutar

Sua realeza é uma certeza absoluta
Desde o início ou desde antes até
Que duvidava de si, mas tinha fé
Sua realeza é uma certeza absoluta
Sua luz será o caminho, calmo e fecundo
Para próximas rainhas que pisarem nesse mundo
Sua realeza é uma certeza absoluta

Agora mais do que nunca, olhamos para o céu, sobre os ombros de gigantes.

--

Felipe R.



Coração de Vidro

Como pode ser tão frágil, belo e poderoso
Feito de vidro, prata e vontade incisiva
Um poço inesgotável, fabuloso
de pura energia, limpa e explosiva

O que é isso que pulsa e vibra aqui dentro
Não pode ser só por causa de um momento
Quais as probabilidades disso acontecer
Era só um sonho, antes de te conhecer

E justo agora que encontrei alguém
Que eu tenho que cuidar
e vai cuidar de mim também
Tudo se move e começa a mudar

Um jarro, um pote, uns fios e sorte
Não pode não conter algo tão forte
Rasgou, pulou do peito, nada que o conforte
O brilho dos seus olhos me salvou da morte


-- 

Felipe R. 

Não me pergunte, o que você sabe que é verdade

Tem musicas que te trazem memórias jamais vividas
E te levam a lugares jamais visitados
Como se ativassem células longínquas
De antiquíssimos e esquecidos antepassados

Estive ali parado por muito, muito tempo
Segurando entre os dedos meu precioso coração
Esperando, de você ou de alguém um movimento
E rugindo, como o vento, que cantava sua canção

Os universos colidiam e os deuses nada fizeram
O motor da imaginação está ligado, e o combustível é ilimitado
Só o vinho, os sorrisos e as lembranças nos mostraram
Que ainda havia algo, uma equação, um dilema a ser solucionado


--

Felipe R.

∆ 

Quem é ela?

O que vejo, é uma musa, uma donzela,
ou a própria lua a brilhar por ela
Suspensa no céu ou pintada em minha retina
Escorrendo pela bruma das lágrimas, como terebentina

É uma mulher, um deusa ou uma sucubos
Fundidas em cósmica unidade, domina
Imersa em si, me afoga nos seus liquidos
Pairando nas papilas seu mel de dopamina

É uma miragem,  um sonho ou uma ilusão
Germinando raízes no terreno da imaginação
Farejava sobre a pele, seu olór de feromônios
Estou nú e desarmado,  pra lutar com tais demônios


--

Felipe R.

∆ 

Poeminha do descanso interrompido

Cansado estava,
Resolvi sentar,
Depois recostei,
Só não percebi,
Que no formigueiro
deitei!

-- 

Felipe R. 

As vezes

Um átomo não se funde com outro muito facilmente 

É preciso muita energia pra fazê-lo

É possível enfileirar e organizar os grãos de areia do mundo, mas é preciso zelo

Não tem como fazer uma árvore inteira aparecer, sem começar com broto ou uma semente

Um poderoso rio só existe porque muitos riachos se juntaram a ele de suas nascentes

O mar, tem camadas de temperatura, profundidade e mistério, mesmo sendo só água e desvelo

As vezes amor que a gente quer, se apresenta pra gente... e a gente não consegue ver


-- 

Felipe R. 

Não há treva tão densa que não sucumba perante a menor das luzes.

Quero esse calor do Sol pra mim,
quero emanar esse brilho e esse calor,
pra iluminar o que precisa de luz e
fortalecer o que precisa de escuridão.

--

Felipe R.


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Enlaço

Onde é que eu me inscrevo 
pra beijar na tua boca, 
seu sorriso eu não aguento, 
tá tão linda a sua roupa 

Deita aqui deixa eu te ouvir
Um refrão completa a trilha
faz chorar e também rir
tipo um verso da Marilia 

Ela nasceu de si mesma,
não veio de ninguem
mantém sua chama acesa
nenhum medo a detém 

São meteoros ou estrelas cadentes
Vão riscando o céus e marcando a gente
Dançamos pela vastidão do espaço 
Desejando haver razão pra esse enlaço


-- 

Felipe R. 



Cindir

Dividir, separar, afastar
Sabendo que os atomos não se tocam
Sabendo que as realidades te sufocam
Não conseguimos verificar, criticar, elucidar

Por que temos sempre
Que lutar com unhas e dentes
Não seria melhor com facas e armas
Afastando o karma de ser sempre vitima

Vítima da sociedade, dos céus, do outro, de si
Vende sua força ou tempo pra luta
Se lamuria constantemente, uma velha puta
Uma piada pra todos os que são daqui

É cansativo ter sempre que dizer o óbvio
Ser sempre calmo, forte, é nunca ter um alivio
Para alguns pode ser apenas uma bobagem
Mas entenda, não é possível almoçar uma homenagem.


--

Felipe R.

∆ 

Eu fico pensando...

Já imaginou? Se a gente se descobrisse?
Se a gente se descobrisse por inteiro?

Já imaginou se a gente se descobrisse?
Se a gente se descobrisse por inteiro?

Já imaginou se a gente pudesse? 
E se a gente se descobrisse?
Por inteiro?

Se a gente se procurasse?
Se desencontrasse?
E encontrasse de novo!
Se perdesse no caminho, 
nas curvas e beijos.

Desnudos de tudo... já pensou

Se ao se descobrir, descobrisse tambem o outro?
E descobertos sob o sol ou a lua,
fôssemos o que nascemos pra ser...


[Inspirado num experimento da Mariana Sancar]

--

Felipe R.

∆ 

Uma Sombra

Esta é apenas uma sombra
Do que já fui, do que quis querer
Uma imagem, uma unica versão
Se a cada nova escolha
nosso caminho se bifurca
Onde estarão os outros caminhos

Com raízes que se encontram, se enrolam
Formam redes de memórias partilhadas
Fundas marcas das historias já contadas
Espasmos de lembranças que assolam

Fugindo do esquecimento com a luz da lembrança
Das brincadeiras do meu tempo de criança
Finalmente fora do casulo de caos e verdades
Abre as asas, se lança no abismo da liberdade

Inspira o ar
Respira a intensidade
Pulsa a vontade
Desejo do gozo, em busca do fim
Todas as coisas do mundo dentro de mim
Vejo a vida e vivo!
Passando diante dos meus olhos
Olhos que brilham e vislumbram
Um futuro radiante, um presente!
Nada diferente ou totalmente igual
A lembrança daquela sombra inicial


--

Felipe R.


Deixo ir

Deixo ir a paixão ardente que não queimou
Deixo ir o sentimento engasgado que não se expressou 
Deixo ir todas as memórias que restou
Deixo ir o receio de não te ter
Para deixar ir
Você


Deixo vir a paixão ardente que não queimou
Deixo vir o sentimento engasgado que não se expressou
Deixo vir todas as memórias do que restou
Deixo vir o receio de não te ter
Pra deixar vir
Você 


Vem pra mim nova paixão ardente que há de queimar
Vem pra mim sentimento expresso pra não engasgar
Vem pra mim novas memórias do que não passou
Vem pra mim a coragem
Pra quando voce vir
Meu Amor


-- 

Nina Rodrigues
Felipe R. 

É Como Uma Febre

Gato Malhado:
O que será que em mim se deu? Hein?
Por que será que parece então ,
que ao meu redor tanta coisa brotou
que algo em mim explodiu, renasceu
será que o amor aconteceu?

O que será que em mim se deu? Hein?
Por que será que parece então,
que ao meu redor tanta coisa brotou
que algo em mim explodiu, renasceu
sera que o amor aconteceu

É como uma febre, um desejo ardente
É como um temporal lavando o mar
Assim tão de repente

É como uma chama, alastrando ao vento
É como um furacão varrendo o ar
assim num só momento

Andorinha Sinhá:
O que será que em mim se deu? Hein?
Por que será que nao durmo mais
Que ao meu redor tanta coisa mudou
Que algo em mim se partiu e doeu
Será que o amor aconteceu?

O que será que em mim se deu? Hein?
Por que será que nao durmo mais
Que ao meu redor tanta coisa mudou
Que algo em mim se partiu e doeu
Será que o amor aconteceu?

É como uma febre, um desejo ardente
É como um temporal lavando o mar
Assim tão de repente

É como uma chama, alastrando ao vento
É como um furacão varrendo o ar
assim num só momento

Gato Malhado e Andorinha Sinha:
É como uma febre, um desejo ardente
É como um temporal lavando o mar
Assim tão de repente

É como uma chama, alastrando ao vento
É como um furacão varrendo o ar
assim num só momento 


Musica do Espetáculo "Gato Malhado e Andorinha Sinha"
Composta por Vladimir Capella 
Arranjos de Dionísio Moreno

Conjugar

Amor pode ser verbo, 
é preciso conjugar, 
um pretérito imperfeito, 
não pode se sobrepor 
a substância de futuro 
mais que perfeito. 

A falta do tempo verbal 
as vezes é o que impossibilita 
que substantivos 
se transformem 
em verbos...

--

Felipe R.


A barca do coração partido

Segue só, chorando e sonhando.
Mas até quando essa barca 
vai vagar sem rumo? 
Sem norte e sem um passageiro?

Sabendo que tem um porto seguro, 
um horizonte com nascer do sol 
desses de filme 
se apresentando

--

Felipe R.


Indo agora

olhando no retrovisor, 
me despeço do que foi 
com alegria 
porque se posso ir 
se estou aqui 
é porque 
aprendi a dizer 
até logo

-- 

Felipe R. 



Luminosa

Quantas cores compõem seu sonho
Uma explosão infinda de possibilidades
Destroça com um sorriso essa ansiedade
Quantas cores compõem seu sonho
Expulsa da tua tela esse cinza bisonho 
Relembra pra tua criança que tudo valeu
Que a luz dos seus sonhos venceu
Todas as vezes que de medo não morreu
Quantas cores compõem seu sonho

A vontade de ferro e o coração de ouro
Iluminada luz que nos salva e nos cura
Não há como de viver de maneira segura
A vontade de ferro e o coração de ouro
Vira a cabeça, tira do sério, prende e seduz
Solando ou no coro, a luz azul conduz
Deixa florescer o irresistível ardor
Estarei sempre ao seu dispor, meu amor
A vontade de ferro e o coração de ouro.

Rainha da luz, enche de orgulho, nosso maior tesouro.


--

Felipe R.




Contemplá-la com admiração

Encontro-me estático, paralisado 
petrificado, diante da medusíaca presença 
da sua extraordinária bunda, sem licença 
tomou de assalto minha retina, transtornado

não sei o que falar, só sinto
enquanto desejo que ela sente
na minha cara, a expressão é de regozijo
Como tamanha bunda, fez de tecido, esconderijo?

e sem esquecer do conjunto da obra
ombros, costas e a marquinha cobiçosa
na cintura fiaria um rosario de beijos ardorosos
desvendar em seus beijos, os mistérios gozósos 

As côncavas e convexas linhas que insuflam o 5° capital nas incautas almas.


--

Felipe R.

Luna

Eu a conhecia profundamente,
Mas só até onde ela me mostrava,
da pele pra fora.

Da pele pra dentro
é só mistério e caos.

Que a gente tenta
desesperadamente organizar
com laços e regras

No claro céu da noite cheia
Mesmo flutuando em glória
Não mais via o que lhe rodeia
Não percebia a tua vitória

Sorri pra mim, me chama de louco
Me fisga, me pega e me beija de surpresa
Depois não vai embora, fica mais um pouco
Será pra sempre, de novo, dessa vez, certeza

Perdida, sem rumo, sem solução
Ela ri, canta, dança e semana que vem
já não vem mais, a culpa é de quem
desencana e curte, culpa é invenção


--

Felipe R.

∆ 

Um brinde, caos e rainha da beleza

Pura perfeição, moldada nas imperfeições, que em nada atrapalham a união dos seus predicados, mas me deixa prejudicado da cabeça, pela distância e a impossibilidade.

O que eu sou pra você? Um abraço, um ombro, um ouvido amigo? Tô perdido.
Um bolo que você come quando tem vontade, quando está a vontade ou vem por caridade? Alguma diversão desse lado da cidade, já me diz tão brutalmente, isso é só amizade.

Eu devia ter beijado, sua boca, seu pescoço, mas na caótica confusão da chuva, tudo que eu sentia, do meu peito escorria, enquanto você dizia, que seria com ele. 

O que eu sou pra você, meu bem? Um sussuro, um desejo, uma música nostálgica no rádio ou no violão? Ainda estou aqui, com o coração na mão, e as vezes, cada vez mais vezes, ele quer fugir, mas eu não deixo. Fecho bem a boca e murmuro uma prece ou uma melodia.

Mais dia ou menos dia, ele vai se acalmar.
Já esperei mais de mil anos, me curei de muitos danos, mas não vou me enganar, eu ainda sou um brinquedo, isso nem é tão segredo, ainda posso me salvar. Só me resta uma linha, para tentar te fazer minha, acabar toda tristeza, a rainha da beleza.



--

Felipe R.

Engodos da Serpente

Será que estamos, ouvindo a mesma música, que estamos na mesma página? Será que o algoritmo da vida dai nos deixar dançar ou vai nos jogar no canto da sala, cada um num canto do mundo, e mesmo estando tão perto estaremos tão longe.

Quais as escolhas que temos, e as que realmente fizemos, será que fomos marionetes das vontades dos outros, do que os outros fizeram com a gente, mastigaram e cuspiram nossa mente, estamos tão em pedaços, em tantas partes, em tantos lugares.

Agora, aqui sentado, eu olho pra tudo que eu produzi, cartas, poemas, atos de servidão. Nem vou falar de lhe entregar hipotéticamente o meu coração, muito menos das dessincronicidades que no universo pode ter gerado, mas ao que parece, o sentimento por mim cultivado, mesmo que correspondido, nunca foi respondido e acabou reprovado.

Talvez esteja presa nos engodos da serpente, sua pele, um supiro tão ardente, já não sei mais, era só um rapaz, também tão pisado pelas más experiências, ainda tinha consciência de que queria um amor, essa palavra que pode ser tantas coisas ou nada, mas que termina com a rima finada, de um poema que nem começou. 



--

Felipe R.


Vai-te Carretel

Antigos males, demonios travestidos
Discursos vencidos e atos falidos
Pobre verme chorão, que vive de migalhas
Esmolas, pena, sem ganhar nenhuma batalha

É um exímio produtor das artes da mentira
Exige respeito e se embriaga com o poder 
Quer ganhar sempre não importa de quem tira
Vai usar toda artimanha, pra de mentira viver

Todos te veem como você é, um coitado
Enjeitado, abandonado, largado, escorraçado 
Ninguém te deseja, ninguem te suporta
A sua peçonha de ódio corre detrás da porta

Vai-te carretel de linha antiga, pesada, defasada
Que não condiz com essa molecada afiada
Não espere forçar um séquito, seu show não comove
Sua pretensa sabedoria, na luz da verdade se dissolve

Chega! É o fim da empatia, da cordialidade
Nem te tenha que extirpar na unha, esse mal da cidade
Insiste em gritar, aventureiros e terra arrasada
Arrasada tá a sua cara, sua imagem dilacerada

Não dá pra aprender nada novo enquanto você acha que já sabe tudo.


-- 

Felipe R. 

Infindáveis cacos

Um coração que pulsa quebrado, 
se corta e se arranha, sangra e dói 
enquanto bate, e não para se destrói, 
O coração e o tempo nunca ficam parados

Eu já te matei tantas vezes, não é lorota
de infinitas formas e requintes de crueldade 
tentar tirar você de mim, mas que ambiguidade 
Mas toda vez que te enterro, você brota

Se te afundo num rio, volta Vitória-Régia 
Se numa fogueira te queimo, volta poeira
Se te lanço no espaço longínquo, volta cometa
Por favor, não cometa mais nenhuma atrocidade 

Me deixa ser livre, pelo menos pra sofrer sozinho
Não sei se consigo te encontrar pelo caminho
E fingir costume, forçar sorrisos e gentileza cristã 
É o suplício eterno, auto imposto, da ilusão de um amanhã 


O tempo corre, escorre, não para nunca, é uma espiral de elos que nos prendem mais e mais, passado e futuro vazios, com um presente inexistente.



--

Felipe R.

Ouço desde sempre

uma voz no vazio
todas as noites
tenho falado com as estrelas
com a noite escura e sombria

então aqui estou, a me decompor
despido, ao seu dispor
desolado, sempre ao meu lado
a tanto tempo perdido, abandonado

só ouço aquela velha canção de ninar
que toca, toca e não para de tocar
tão fundo que só ficam os cotovelos de fora
puxa pra fora e espalha o que outrora eu fora

e hoje eu não sou mais invisível
tampouco um quark indivisível
múltiplo como os átomos do multiverso
tão singelo pra caber nesse pequeno verso


--

Felipe R.

∆ 

Enigma del tiempo

Em um delicado resquício de paixão,
Busco retornar àquela pequena fração,
de eternidade, quase nossa, vivida com devoção,
Emaranhados no anseio de corpos em comunhão.

O que fazer com imagens do que não foi consumado,
cenas do que poderia ter sido, não vivido, abandonado?
Os olhares enternecidos, nosso segredo guardado,
Num turbilhão de ardor, desejo evocado.

Recordo do abraço consentido, tão mágico,
Onde nossos corpos se encontraram em conexões lógicas.
As memórias fluem, doces e trágicas,
No bailado sensual do desejo, ardente e enigmático.

E como esquecer a voz que sussurava prazer em meus ouvidos,
Promessas sensuais, suspiros imaginários, todos perdidos?
Qual a distância segura? onde ainda estamos perdidos?
No labirinto do amor, e em seus mistérios instruídos.


-- 

Felipe R. 

[5] ou Borboleta Sináptica Ayó Luminosa

Borboleta de encanto galáctico
Céu estrelado, sua dança no tempo estático
Lagarta, metamorfose, és meu sagrado audaz
Borboleta de encanto galáctico
Helios em teu balé, calor e luz fugaz
Sempre Sereia Sináptica, és meu oráculo, enfim
Borboleta de encanto galáctico

Celebra, embriaguez, em nosso enlace infinito
Ilumina o caminho com fortuna o encontro mais bonito
Poetas cintilam na noite celestial
Celebra, embriaguez, em nosso enlace infinito
Euterpe e Calíope, em nosso carnaval
Nossos laços forjados no Amor Unigênito
Celebra, embriaguez, em nosso enlace infinito

Ayó, recriamos mundos em um abraço único
Na luta, na dança, contra a fria escuridão
Nossa realeza, o amor, é calor de verão
Ayó, recriamos mundos em um abraço único
A guerra, a vida, o sonho, algo místico
Somos reis e rainhas do presente, em canção
Ayó, recriamos mundos em um abraço único

Luminosa, a paleta de cores do teu olhar
Um sonho pintado com as cores da vida a pulsar
Tantas almas juntas, sem hesitar, na mesma levada
Luminosa, a paleta de cores em teu olhar
A vontade de ferro e a bondade a jorrar
Corpos e corações, a cada batida compartilhada
Luminosa, a paleta de cores em teu olhar

Esse carinho ardoroso que nos uniu
Construção contínua, pedra sobre pedra, no olhar
Fogo intenso na alma, nosso elo forjado
Esse carinho ardoroso que nos uniu
Poema vivo que escrevemos, de sonhos moldado
Nada é por acaso, é o destino que nos faz vibrar
Esse carinho ardoroso que nos uniu


--

Felipe R.


Olhar os hieróglifos

Olhar os hieróglifos
Que tracei com lábios sábios,
No papiro de tua pele,
Segredos revelados,
Em suspiros, um encontro de versos insaciados,
O rio entre teus seios,
Onde me perco em rios.

O calor do deserto
Em teu corpo incendiado,
As dunas do prazer,
Nas quais somos errantes,
No oasis dos teus lábios,
Meus desejos brilhantes,
Em trocadilhos secretos,
Somos amantes ousados.

Olhar os hieróglifos
Em tua pele encantada,
Na trilha de suspiros,
Leite e mel que escorreu,
No seio desse rio,
Me afogar é o que desejei,
No calor do deserto,
Te inflamar é meu anseio.

No oasis dos teus lábios
Um segredo, eu achei,
Na língua dos desejos,
Versos proibidos fluíam,
Em noites apaixonadas,
Nossos corpos se uniam,
Nossos enigmas secretos,
Em sussurros, se entrelaçavam. 



--

Felipe R.



Trama do Destino

Tem dias que só a tua voz me salva 
A fragrância do teu perfume embriaga
Nas palavras, o refúgio que se desenha
O rio que corre sem que ninguem detenha

A proximidade, um fio que Cloto tece 
Carícias ocultas marcam a pele
Não posso mais ficar assim tão perto 
O desejo cresce cada vez mais certo

No enredo dos diálogos, a vida se renova 
As histórias se preenchem de mistério
Eu já fui mais esperto, mas o coração prova
viveriamos como reis nos degraus desse império 

Assim, nos versos desta jornada ingrata
Sentimentos que transcendem a escrita 
Entremeado encontro que nos suscita
Como o fio de Laquésis que nos ata

E esse desejo que ferve no ventre
É o fio que nos mantém unido
Mesmo que seja proibido
Que Atropos não nos encontre


--

Felipe R.

Amor Cósmico

Nas estrelas que dançam, paixão cósmica
No espaço sem fim, segredos profundos
O abraço das galáxias, amor fantástico
Nas estrelas que dançam, paixão cósmica
Na nebulosa fria, sentimentos misteriosos
Nas constelações, um universo dramático
Nas estrelas que dançam, paixão cósmica
No fim do cosmos, nosso encontro glorioso

Nas órbitas celestes, um amor radiante
Entre quasares e pulsares, mistério profundo
No brilho das supernovas, paixão deslumbrante
Nas órbitas celestes, um amor radiante
Na matéria escura, sentimentos fecundos
Na expansão do universo, um sonho fascinante
Nas órbitas celestes, um amor radiante
Em meio à escuridão cósmica, reencontro esperado.


--

Felipe R.


Artemis Vinte e Quatro Anos

vinte e quatro anos
pra quem vive da palavra, de falar, declamar, contar,
é estranho ficar sem palavras pra expressar
o que @grupoartemis significa?

é a minha vida todinha, meu norte e sul, leste e oeste
meu universo encantado,
Onde as histórias ganham vida,
num mundo lúdico e abençoado.

Cada gesto, cada cena, uma dança de sonhos,
O teatro é a poesia que nos envolve em seus laços.
É riso, é choro, é magia no ar,
É um caminho sem fim, que o futuro há de abençoar.

Que cada aplauso seja uma estrela a brilhar,
Iluminando nosso trajeto, fazendo-nos voar.
No palco da vida, com ludicidade a guiar,
@grupoartemis, meu eterno lar.



--

Felipe R.

Mulher

Mulher artista, alma insurgente,
Que tece sonhos com a tinta da mente.
Sua voz, um canto ecoante,
Sua arte, um grito vibrante.

Em cada pincelada, uma nova história,
Em cada verso, uma nova memória.
Com força e garra, você desbrava,
Espaços que a história lhe negava.

No palco, na tela, na poesia,
Sua presença é pura magia.
é luz que ilumina desde muito cedo,
E nos convida a voar sem medo.



-- 

Felipe R. 

À Mais Amada dos Três Mal-Amados

Dentre as brumas de um Cordel, sob a luz de Artemis,
Surge a figura serena, alma de gentil.
Cabelos negros como a noite, sorriso a incendiar,
Olhos brilhantes como a lua a iluminar.

Na selva livre, o seu espírito de Atalanta,
Em cada trilha, força e coragem, uma epítome
De nobre linhagem, carisma que encanta,
Uma chama viva que jamais se consome.

Com os três mal-amados, devorou todo amor, guerra e paz
Tantas alegrias, sonhos entrelaçados
Nos desafios da vida, mesmo distantes, conectados,
Nosso laço de três voltas, que o tempo não desfaz.

Neste dia especial, celebramos tua jornada, Com votos de amor, paz e eterna alegria,
Que teus passos sigam em terra abençoada,
Tua essência renovada a cada novo dia.

Com arte, amor, saúde e prosperidade,
Que a felicidade te acompanhe em plenitude,
Boa fortuna a te guiar, sempre em frente,
Em cada passo, a certeza de viver um presente.



--

Felipe R.

Ainda um Frankenstein

Anos se passaram desde aquela confissão amarga,
Ainda carrego o fardo da alma fragmentada, Ainda um Frankenstein, em constante batalha,
Contra minha própria essência, dilacerada.

Lembranças fragmentadas, como cacos de um espelho,
Refletem a dor, o sofrimento, a solidão,
Cicatrizes profundas, marcadas em cintilante vermelho,
Quebrado pelo tempo, pela cruel ilusão.

Mas no meio do caos, uma nesga de esperança,
Um sonho que teima em não se apagar,
Encontrar a Noiva Frankenstein, na vastidão da intemperança,
Alguém que aceite os pedaços, sem julgar.

Uma alma que eu reconheça a monstruosa beleza,
Que veja além das cicatrizes, da dor,
Que abrace a fragilidade, com terna gentileza,
E complete o ser, nesse monstruoso amor.

Juntos, desafiar as normas, a falsa perfeição,
Nessa união imperfeita, encontrar redenção,
Duas metades fragmentadas, em eterna união,
No amor monstruoso, a verdadeira libertação.



--

Felipe R.

Caminhos Entrelaçados

No início da jornada, éramos muitos, 
Um bando de almas em busca de um destino. 
Trilhamos tantos caminhos juntos, 
Sonhávamos que seria divino.

Em palcos e ruas, dividimos alegrias e dores, 
Aplausos e silêncios, ódios e amores. 
Cada cena, cada ato, gravado na memória, 
Faróis a iluminar a noite escura da história.

Ao olhar para trás, vejo trilhas de esperança, 
Dos passos nossos e de outros tantos. 
As mãos estendidas nas horas de incerteza, 
E de mãos dadas, sonhando com a beleza.

Nossos pés seguiram em frente, jamais olvidamos, 
Mesmo quando o caminho tomou outra direção, 
Sem saber onde iria, o desejo do nosso coração, 
Os sonhos que nos uniram, as histórias que contamos.

Somos um mosaico de encontros e partidas, 
De abraços calorosos e despedidas doloridas. 
Mas a cada passo, a cada novo amanhecer, 
Trabalhamos duro pra um sonho real acontecer.



--

Felipe R.

∆ 

O Caminho das Sombras

Quando desistir de caminhar pela luz e começar a trilhar o caminho da escuridão,
que seja com a certeza de que a escuridão também guarda verdades,
não menos intensas, mas mais discretas,
onde as sombras são refúgio e os cantos, templos de sabedoria.

Pelas sombras, pelos cantos, sempre oculto, mas sempre atento.
A luz pode cegar, mas a escuridão revela o que o véu oculta,
ensinando a ouvir os sussurros que o mundo silencia.
É onde o medo dança, mas também onde o poder descansa.


-- 

Felipe R. 


Tudo que eu peço - Perdido em seu olhar



Estou perdido em teu olhar,
Como quem se perde no infinito mar.
Olhos que guardam profundo segredo,
Água escura que mergulho sem medo,
Na louca esperança de me afogar.

Se o agora, o hoje, for tudo o que temos,
Paro o tempo e veja: nós vencemos!
Te abraço, te envolvo, como quem implora,
Pra que a Aurora não venha, nem você vá embora.

Não pense em nada, só dance comigo,
Não existe o fim, eu sou seu abrigo.
E que seja só por hoje, por uma noite,
A loucura e a lascívia sejam nosso açoite.

Eu sei que a luz do Sol vai tudo apagar,
Mas só por hoje, só agora, deixa jorrar.
Eu serei seu Gomez, seu mais devoto amante,
No seu cálice, vinho e mel, o mais doce e inebriante.

E mesmo que seja nossa única canção,
Uive comigo para a Lua, em redenção.
Após o fim, quando o silêncio enfim chegar,
Que eu me perca em teu olhar.


--

Felipe R.

Descontrole

Em um mar de palavras desordenadas, navego sem bússola, sem porto seguro. 
Significados naufragados, em ondas de incompreensão, se afogam no escuro.
Brinco de ilusionista, com versos como cartas na manga,
Engano o teu olhar, te prendo na minha dança.

Mergulho entre abismos de subjetividade, 
Onde a verdade se esconde, em sua própria relatividade.
Mas cuidado, meu caro leitor, nem tudo é o que parece, 
Nem sempre a palavra é fiel, nem sempre a mente obedece.

No meu poema, labirinto de enigmas e charadas, 
Pode se perder, ou se encontrar, nas teias armadas.
Pois a linguagem, meu caro, é traiçoeira por natureza, 
Capaz de construir castelos ou te levar à loucura ou a grandeza.

Então, desvende os meus versos, se tiveres coragem,
Mas saiba que a verdade, talvez, esteja fora da miragem.
Libere-se das amarras da lógica e da razão, Abrace o paradoxo, a contradição.

No reino do descontrole, a poesia reina suprema, 
Onde o impossível se torna possível, e o real se torna um poema.



--

Felipe R.


Futuro

Observando o céu, até onde as nuvens irão Caminho para além do véu, resposta da oração 
Com passos tão largos, sorriso estampado Compassos de um fado, te vejo espantado

Tanta coisa no caminho ainda há de haver Tem toda a tua vida ainda pra viver 
Tem todo teu amor pra dar
Sobrevive e luta sempre sem cessar



--

Felipe R.

Alma de Poeta

A alma de poeta ai está, 
mas as vezes nos faltam as palavras, 
nos furtam as frases, 
perdemos o ar, 
perdidos sem raciocínio. 

Mas nada tira de nós 
o fascínio de juntar letras, 
idéias e desejo, 
para por escrito descrever 
aquele olhar, saudade ou um beijo.




--

Felipe R.

Eclipse de Paixão



Nas sombras do meu deserto, sedento de teu néctar, 
Invoco teu nome, ó deusa, em meu altar.
Com olhos de serpente, te sigo, te busco, 
Em cada canto da noite, meu desejo te acuso.

Como falcão faminto, alço voo para te encontrar,
No ápice da paixão, nosso destino selar.
Sob a luz da lua, nossos corpos se entrelaçam,
Num ritual ancestral, a alma se inflama.

Em teu corpo, a noite encontra o amanhecer,
Um eclipse de paixões que nos faz querer. 
Nas trevas, nos entregamos, sem pudor, sem temor,
Nossos corpos se unem, num fogo que devora.

Com gemidos profundos, saciamos a sede na saliva, 
Em um frenesi carnal, sem fim, sem medida.
Nossos lábios se encontram, em um beijo fatal, 
Selando nosso destino, o pacto visceral.


--

Felipe R.

Renascer em Teus Braços



Nas profundezas do meu deserto, árido e sem luz, 
Encontrei tua pele, um oásis, que não faz juz
A Ísis dos meus sonhos, deusa da paixão,
Tu me fizeste renascer, com tua canção.

Em cada toque, um rio que me inunda, 
Teus lábios, um deserto que transmundo. Com o teu doce calor, a vida me invade, 
E em teus braços, a morte tem piedade.

Eu te faria flutuar em cada toque, 
Irrigaria todo o deserto com o suor e saliva que arrancarei do teu corpo, 
E com seus gemidos fazer a música da criação do universo,
Ecoar em cada canto do teu corpo com o meu por toda vastidão das eras!

Como Osíris, jazia em trevas, em pedaços 
Mas teu amor juntou-os com laços 
Com o feitiço do corpo, devolveu-me a vida eterna, 
E no ambar dos teus olhos, a luz que me governa.

Em cada sussurro, um mantra sagrado, 
Em cada gemido, um universo criado.
Com teu corpo, me elevo aos céus, 
E em teus braços, encontro meus deuses.


--

Felipe R.

Ísis e Eu



Sob véus de lua, em noites de névoa, 
Busca meu corpo, seu Osíris perdido. 
Em cada canto, meu nome ecoa, 
Em cada suspiro, meu amor é vivido.

Como Ísis, vagando em busca, 
De cada fragmento, de cada pedaço meu. 
Em cada rio, em cada ruína, 
Te encontro, amor meu, vivo em meu eu.

Em seus braços, meu corpo sem vida, 
Mas em meu coração, a chama ainda arde.
Com seus beijos, me dá nova vida, 
E com suas lágrimas, me renasce.

Eu te faria flutuar em cada toque, 
Irrigaria todo o deserto com o suor e saliva que arrancaria do teu corpo,
E com seus gemidos fazer a música da criação do universo, 
Ecoar em cada canto do teu corpo com o meu por toda vastidão das eras!

Em nossos corpos, escorrendo um Nilo de prazer, 
Em cada toque, um novo universo a nascer. 
Comigo, tu és eterna, minha Deusa, meu amor, 
Em nossas almas, fervilhando o eterno ardor.



--

Felipe R.

A Escolhida

 

Eu sou a escolhida, a sétima filha, 
da sétima filha, nascida sob os véus da lua.  
Minha alma, tecida em mistério e desejo,  
clama por ti, Príncipe das Trevas,  
que cavalga o vento em teu corcel negro.

Sob as folhas azuis do carvalho sagrado, 
à meia-noite,  
minhas mãos serão guias na escuridão.  
O vinho, sangue dos antigos,  
fluirá em nossos lábios,  
e a fogueira será testemunha  
da dança que transcende o tempo.

Eu, consorte das trevas,  
te reclamo como minha igual.  
Nosso enlace não é de submissão,  
mas de poder compartilhado,  
onde corpos se unem,  
em um altar de pedra,  
consumidos pelo fogo e pela fúria.

Montarás ao meu lado,  
pele, pêlo, e almíscar,  
e juntos cavalgaremos pela noite eterna,  
cantando louvores à Deusa Eostre,  
enquanto os céus e a terra  
se curvam diante de nossa união divina.

--

Felipe R.


Ecos da Luz



Eu sou o eco da luz,  
um viajante perdido nas brumas da fé,  
da sétima geração, mas não da sétima filha,  
nascido sob a cruz, atraído pelo mistério.  
Teus olhos, estrelas que desafiam o céu,  
me chamam para dançar na escuridão.

Sob o manto do carvalho antigo,  
onde sombra e luz se entrelaçam,  
à meia-noite,  
minhas mãos, antes firmes em oração,  
agora anseiam por ti,  
querendo explorar o desconhecido.  
Teu perfume, um incenso que dissolve certezas,  
invade minha alma,  
e a fogueira em teu olhar  
é um chamado que não posso ignorar.

Tu, guerreira da natureza,  
te afirmas como força indomável.  
Teu ser não é de pureza, mas de poder,  
onde carne e fúria se entrelaçam,  
e a paixão ecoa na noite.  
Em um altar de sombras,  
entrego-me, não ao temor,  
mas à certeza de que este momento é único.

Cavalgarás ao meu lado,  
instinto em cada toque,  
juntos, exploraremos a vastidão da noite,  
cantando hinos que desafiam as estrelas,  
enquanto terra e céu se curvam,  
rendidos à força de nossa união.  
Não temo o que virá,  
mas aceito a tempestade que me transforma,  
pois em tua presença,  
encontro a liberdade de ser,  
e a paixão que renova minha crença.



--

Felipe R.

Refúgio Eterno



Eu vou mantê-la guardada,  
no recanto mais profundo do meu coração,  
onde o tempo não faz morada,  
e o silêncio preserva nossa canção.

Mesmo que o mundo desabe ao meu redor,  
e novas moradas venha a encontrar,  
você sempre terá onde repousar,  
como chama do eterno ardor.

Quando a noite for fria e longa,  
e os ventos sussurrarem solidão,  
lembre de mim, um verso pra sua milonga,  
um porto, sempre à disposição.

Em meio ao caos, sou teu refúgio,  
nos teus olhos, a paz que almejo.  
A vida é breve, um vento ligeiro,  
o que criamos é eterno e certeiro.

A noite me envolve em saudade profunda,  
e em cada estrela, teu olhar vem brilhar.  
A distância nos separa, mas a lembrança acalma,  
meu cansado coração, tua imagem o faz pulsar.

Esse presságio de amor que floresceu,  
no mais profundo recanto se escondeu.  
É meu tesouro, meu ar, meu sol, meu céu,  
e no fundo dos meus olhos, te guardarei fiel.

És a lua que ilumina minhas noites,  
a estrela que guia o meu caminhar.  
Em ti, encontro o abrigo que espero,  
e no meu coração, ardor a transbordar.




--

Felipe R.





O Chamado das Musas

As musas vêm em sussurros,  
como brisas leves que não se vê,  
trazendo o fogo do invisível,  
acendendo a chama do querer.

Elas dançam entre o caos e o silêncio,  
plantando sementes de beleza e dor,  
e o coração, que já foi sereno,  
agora pulsa, tomado de fervor.

Palavras flutuam no vento,  
como estrelas que caem do céu.  
Eu as cato, uma a uma,  
moldando versos em seu véu.

No sarau, começou o murmúrio,  
as frases se lançaram ao ar,  
e no íntimo, a enxurrada veio,  
palavras que não consigo calar.

As musas me enchem de desejo,  
me empurram, me fazem criar,  
em cada verso, um pedaço de mim,  
um sopro de vida a despertar.

Mas o caminho da criação é duro,  
há dúvida, angústia e sofrer.  
O que parece ruir entre os dedos,  
amanhã, pode florescer.

Então releio, revisito,  
mergulho nas profundezas do meu ser.  
Cada verso, um fragmento da alma,  
cada rima, um eco do querer.

Entre a beleza e o sofrimento,  
a criação é meu destino,  
e as musas, incansáveis, me chamam,  
guiando-me sempre, em cada desatino.

E assim, sigo, acolhendo o mistério,  
desejo e esperança, em união.  
Pois a arte nasce desse encontro,  
entre a razão e a emoção.




--

Felipe R.