Eu sou a ganância, eu tudo quero e tudo terei,
Sem freios, sem limites, toda glória eu obterei.
Os tesouros mesmo ocultos acendem minha paixão,
Inflamando meu desejo, reluzindo a ambição.
Eu sou a gula, o banquete eterno saborearei,
Em cada doce e néctar divino, me embriagarei.
No êxtase dos sabores, o prazer me consome,
Sem remorso, no deleite, minha alma sente fome.
Eu sou a luxúria, teus desejos despertarei,
Com irresistível ardor, o corpo seduzirei.
Entre toques e suspiros, em êxtase, doce meretriz,
Na dança dos sentidos, serei eu tua imperatriz.
Eu sou a ira, a fúria que em mim arderá,
Como tempestade raivosa, em chamas rasgará.
Obstáculos e inimigos se despedaçarão
No fogo da minha justiça todos queimarão.
Eu sou a inveja, dos outros dons me deleitarei,
No brilho alheio, minha sombra sutil tecerei.
Cada glória dos outros, com ardor almejarei,
E caso não alcance meu intento, te destruirei.
Eu sou a preguiça, nada se concretizará
Em sossegados devaneios, tudo procrastinará
No manto do meu ócio, o mundo inteiro esmorece,
E em quietude e letárgia, minha essência te adormece.
Eu sou o orgulho, meu brilho sempre enaltecerei,
Passos firmes e altivos, minha grandeza proclamarei.
Nenhum rival se compara, Deus te livre e te guarde,
Eternamente trono da soberba, me pertence sem alarde.
Eu sou a voz silenciosa que ecoa no abismo sem fim
Sou a chama, o vicio, a queda, tudo que há de ruim.
Quando cederes, sem luz, sem luta e sem dor
Serás parte de mim e eu serei Teu Senhor.
--
Felipe R.
∆

Nenhum comentário:
Postar um comentário