Curvo-me diante do altar da tua carne,
tuas nádegas firmes são templo e pecado,
redondas, maciças, pedem que eu lamba,
que eu beije, que eu morda, que eu fique ajoelhado.
É culto profano, oração lasciva,
reza que escorre em suor e saliva,
língua que adora, boca que implora,
cheiro da carne que arde e devora.
Calipígia, palavra grega divina,
sussurro de eros, tesão que alucina,
a bunda erguida é caminho e destino,
ao abismo do gozo me guia sem tino.
Meu rosto enterrado inteiro no teu traseiro,
respirar teu cheiro, perder-me inteiro,
lamber tua pele, sorver tua seiva,
rasgar o pudor que em ti ainda resiste.
Não há deus maior que a curva da sua bunda,
nem fé mais ardente, ou fome mais profunda,
sou escravo fiel das suas luas gêmeas,
me jogo na prisão das suas carnes rotundas.
E quando enfim gozar, vencido em teu chão,
serei só oferenda da tua paixão,
pois o Valhalla do guerreiro na cama
é tombar vencido pela bunda que o inflama.
--
Felipe R.
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